O que fazer em Paraty durante a FLIP

Poucos casamentos se revelaram tão felizes quanto o de uma graciosa cidade colonial fluminense com as letras. Criada em 2003, a Flip, Festa Literária Internacional de Paraty, chega à 14ª edição com prestígio inabalável, reflexo de uma curadoria cuidadosa num cenário que parece ter nascido para a literatura.

Na Flip, vale a lógica Tostines: atrai grandes escritores porque repercute mais, ou repercute mais porque atrai grandes escritores? Na edição 2016, não será diferente. De 29 de junho a 3 de julho, um time eclético e relevante de autores contemporâneos debaterá literatura em um ambiente fértil de ideias, badalado por intelectuais e abarrotado de fãs e leitores.

Homenageada do ano, a poeta carioca Ana Cristina Cesar (1952–1983), musa da Geração Mimeógrafo – autores que utilizavam a rudimentar técnica de impressão para divulgar seus textos e driblar a ditadura –, será o tema do encontro de abertura, na quarta-feira, dia 29, com a presença do poeta Armando Freitas Filho, amigo da autora, e do cineasta Walter Carvalho, diretor de fotografia de Terra Estrangeira (1996), Lavoura Arcaica (2001) e Madame Satã (2001).

Entre os convidados com mesas exclusivas na programação, os nomes mais incensados do ano são a bielorrusa Svetlana Aleksiévitch, vencedora do Nobel de Literatura de 2015 e autora de Vozes de Tchernóbil, e o norueguês Karl Ove Knausgård, que aproveita para lançar Uma Temporada no Escuro, quarto livro da série autobiográfica Minha Luta, na qual expõe publicamente os membros de sua própria família sem fazer muitas concessões. O encontro com Knausgård acontece na sexta-feira, 1º de julho, às 17h15, e com Svetlana, no sábado, dia 2, também às 17h15.

A programação internacional ainda traz o jornalista e historiador britânico Misha Glenny, que lança O Dono do Morro, a história da ascensão e queda de Nem, antigo líder do tráfico da Rocinha. Glenny dividirá a mesa com seu colega brasileiro Caco Barcellos, na quinta-feira, dia 30 de junho, às 15h. Autor de Trainspotting (1993), best-seller que virou um aclamado filme em 1996, o escocês Irvine Welsh acompanha o americano Bill Clegg, autor de Retrato de um Viciado Quando Jovem (2011), num encontro de obras marcadas pelo consumo de drogas. Será no mesmo dia 30, às 21h30. 

Tema atual que não escapará à Flip, a guerra da Síria e a crise de refugiados serão debatidos por Abud Said, poeta sírio asilado na Alemanha, e a jornalista Patrícia Campos Mello, colunista da Folha de S. Paulo, no domingo, dia 3 de julho, às 10h. Antes, no dia 1º, às 12h, o autor carioca J.P. Cuenca conversa com a mexicana Valeria Luiselli, que lança o romance A História dos Meus Dentes. Promessa de diversão e sacadas afiadas, a escritora e roteirista paulistana Tati Bernardi, do recém-lançado Depois a Louca Sou Eu, divide a mesa "Mixórdia de Temáticas" com o famoso humorista português Ricardo Araújo Pereira, no domingo, dia 3 de julho, às 12h.

Enquanto rolam os principais encontros na Tenda dos Autores (850 pessoas), quem estiver em família poderá curtir, na Casa da Cultura de Paraty, a já tradicional Flipinha, que reserva ótimos nomes da literatura infantil. Na abertura, dia 30, às 9h, o ator Lázaro Ramos, que lançou no fim de 2015 o livro O Caderno de Rimas do João, se reúne com os escritores Angela-Lago e Ernani Ssó, além do idolatrado grupo musical Palavra Cantada. No sábado, dia 2 de julho, às 10h30, Ernani Ssó – tradutor de Dom Quixote e autor de Com Mil Diabos! e Contos de Gigantes, entre outros – volta à Flipinha para repartir a mesa "Histórias de Arrepiar!" com o carioca Alexandre de Castro Gomes.

No site oficial do evento, você confere os nomes de todos os autores e a programação completa da Flip, Flipinha e FlipZona (de literatura juvenil, na casa do Iphan). Para acompanhar as mesas principais da Flip, na Tenda dos Autores, os ingressos (R$ 50) estarão à venda a partir de 3 de junho no site da Tickets for Fun. Fique atento porque as entradas se esgotam rápido! (A Flip costuma montar um telão atrás da Tenda dos Autores para o público sem ingresso). As entradas da Flipinha e da Flipzona, grátis, geralmente são distribuídas uma hora antes na Casa da Cultura de Paraty, informe-se no local.

Com tantas atrações literárias, não é exagero dizer que o melhor de Paraty durante a Flip é a própria Flip, mas há muito o que fazer fora do evento, seja no intervalo das mesas, seja nos dias que antecedem ou sucedem o festival – até porque, convenhamos, não seria nada mal emendar uns dias e passar a semana toda na cidade...

Sejam quais forem os seus planos para a Flip, não é segredo que os leitos da hotelaria evaporam durante o evento, mesmo com as tarifas nas alturas, um motivo a mais para você recorrer a um imóvel do AlugueTemporada. São nada menos do que 239 endereços em Paraty, muitos deles com acomodações suficientes para você dividir entre 6, 8 ou 10 amigos, pagando diárias de hotel econômico com conforto de um três ou quatro-estrelas.

Nesta arejada e simpática casa, por exemplo, a ocupação máxima (6 pessoas) significa uma diária individual de R$ 116, mesmo durante a Flip. Com pé-direito alto no forro de madeira, muito espaço, paredes coloridas e um exagerado deck avarandado, o imóvel tem 3 quartos (sendo 2 suítes com Sky) e cozinha toda aberta para a sala e a varanda, num estilo praiano que remete ao programa Armação Ilimitada, hit dos anos 80. A localização também é boa, a apenas 3 km do Centro Histórico. 

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Foto: AlugueTemporada

Para quem pode pagar um pouco mais, esta confortável e charmosíssima casa a 5 minutos do Centro Histórico acomoda com folga até 8 pessoas em suas 4 amplas suítes, por R$ 440 a diária de cada hóspede na ocupação máxima. Com arquitetura contemporânea e paisagismo impecável, o imóvel capricha na combinação entre mobília de design e décor brasileiro, sem errar a mão em nenhum cantinho. São 5 salas (inclusive com telão para filmes), uma cozinha moderna e muito equipada, gazebo com redes, uma piscina e uma hidro. Três funcionários mantêm a casa arrumada e servem o café da manhã, mordomias incluídas no preço.

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Foto: AlugueTemporada

Casa e programação da Flip resolvidas, você pode curtir Paraty numa boa. Erguido desde 1776 até o século 20, o belo Centro Histórico tem calçamento de pedras, esquinas desencontradas (para facilitar a defesa contra ataques piratas, reza a lenda) e ruas projetadas em forma de canal, para ajudar o escoamento das águas. Além da Casa da Cultura, valem visita a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios (1873) e o Antigo Paço Municipal, construção do século 18 que hoje abriga a Pinacoteca e a Secretaria de Turismo. À noite, programe-se com antecedência para assistir ao Teatro de Bonecos, um delicado e expressivo número de marionetes geralmente com sessões esgotadas. 

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Foto: Grupo Contadores de Estórias

Ótimo lugar também para comprinhas típicas, no Centro Histórico você encontra balões coloridos de papel machê e cabaça (Armazém Santo Antônio, na R. da Lapa), miniaturas de saveiros e canoas (Atelier da Terra, também na R. da Lapa), cestaria e fotografias da cidade (Artesão de Paraty, na R. Dr. Samuel Costa), cerâmica (Galeria Grupo da Terra, na R. da Praia) e joias de resina (Sobral, na R. do Comércio), entre artesanatos variados. 

Uma escala artística acima, reserve um tempinho para alguns dos ateliês, como o Aécio Sarti (Praça da Bandeira), que faz pinturas sobre lona de caminhão, o Aracati (R. Dona Geralda), que transforma moedas antigas em pingentes, o Lúcio Cruz (R. Dona Geralda), com esculturas que retratam o cotidiano de Paraty, o Mangaba (R. da Matriz), que produz bonecos com arame e fita crepe, e o Studio Bananal, com pinturas de grafismos e esculturas de material orgânico.

Capitulo à parte nas tradições e no comércio da cidade, a famosa cachaça paratiense, que em alguns casos ombreia com as premiadas marvadas mineiras, está representada em seus melhores rótulos no Armazém da Cachaça (R. da Lapa com R. do Comércio), na Cana Caiana (R. do Comércio), no Empório da Cachaça (R. Dr. Samuel Costa) e no Escritório da Cachaça (R. da Lapa).

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Foto: Flickr

Tanta pernada merece uma pausa, e o Café Pingado (R. Dr. Samuel Costa) justifica seu nome com uma receita muito especial, à base de café, cachaça, chantilly e geleia de gengibre. Para acompanhar, há pães recheados e doces regionais. Também é boa opção a Pâtisserie (R. do Comércio, dentro da Livraria das Marés), que tem café da marca Orfeu, waffle com massa de pão de queijo e doces assinados pelo chef belga Frédéric De Mayer, como a torta crok noisette (musse de chocolate, creme de avelã e biscoito de castanha de caju). Para outros doces artesanais (pão de mel, alfajor, quindim e ótimos bombons), considere o Bombom da Maga (R. da Matriz), mas se a fome for de salgado, prove um dos crepes do Le Castellet (R. Dona Geralda), como o recheado com frango, mussarela e creme de espinafre.

O Centro Histórico reúne ainda restaurantes gourmet de responsa, vide o Banana da Terra (R. Dr. Samuel Costa), que serve pescados frescos e mantém excelência do couvert à sobremesa, como prova o sonho de aipim com goiabada e catupiry; o Thai Brasil (R. do Comércio), que usa temperos cultivados em horta própria e esbanja correção no receituário tailandês; e o charmoso Quintal das Letras (R. do Comércio, dentro da Pousada Literária), onde há desde pratos tradicionais como arroz negro com lula, polvo e camarões, até um inventivo couvert com cream cheese de jabuticaba e panna cotta de palmito pupunha. No clássico Refúgio (Pça. da Bandeira), você prova o camarão casadinho, receita típica com dois crustáceos unidos e recheados com farofa.

Não é demais lembrar que, durante a Flip, os restaurantes também transbordam, por isso recomenda-se fazer as reservas com semanas de antecedência. A relação de cozinhas estreladas agora sai do Centro Histórico para a BR-101, a caminho de Angra. No km 558, a 20 km de Pararty, fica o acesso para o Le Gite D'Indaiatiba (dentro da pousada homônima), restaurante franco-mediterrâneo com frutos do mar frescos e ingredientes cultivados no local. Mais próximo de Paraty, no km 4 da Estrada para Cunha, o Voilà Bistrot, dentro da Pousada Caminho do Ouro, é mais um território gourmet com chef e receitas da França, a exemplo do pato ao molho de framboesa com minilegumes ao curry, ingredientes comprados de pequenos produtores da região. Antes de encerrar a noite, os boêmios devem retornar ao Centro Histórico para curtir uma música ao vivo e pedir a saideira no Paraty 33 (R. da Lapa), que tem bossa nova e pop-rock, no Café Paraty (R. do Comércio, 253), com bandas de jazz e blues, e no Bendita's (R. Dr. Samuel Costa), que toca MPB.

Conhecido e provado o melhor que a civilização proporcionou a Paraty, ainda sobra a natureza, não menos caprichosa. Da bela Praia do Cachadaço, cercada por vegetação nativa, ao sul, até Batanguera, 41 km ao norte, o recortado litoral da região lista cerca de 40 praias, alguma delas só acessíveis por barco ou trilha, como a linda Praia do Sono, a 15 minutos do Condomínio Laranjeiras com barqueiro local ou a 1h30 de caminhada. Ao chegar na praia, caminhe mais meia hora para conhecer Antigos e Antiguinhos, enseadas selvagens com encostas verdejantes, areia fofa, água transparente e apenas uma ilhota de pedras separando as duas enseadas.

flip paraty

Foto: Wikipedia

Para ir "mais longe", um programa recomendável em dias de céu firme é o passeio de barco que sai do cais de Paraty. Valores, itinerário e duração do tour são combinados na hora com os barqueiros, mas os destinos mais comuns são as praias da Lula e Vermelha, a cerca de 1 hora do Centro Histórico; o Saco do Mamanguá, no qual um braço de mar avança entre duas montanhas como um fiorde norueguês; e a quase intocada Ilha dos Cocos, cercada de água translúcida. Para encurtar o trajeto até o Saco do Mamanguá, há traineiras também em Paraty-Mirim, praia acessível por carro. Para quem deseja explorar o Mamanguá a fundo, empresas como a Paraty Tours montam roteiros que combinam trilhas e canoagem.

 

Casas para alugar em Paraty

2 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 13

#357907

(1)
2 - 5  Número minimo de noites
3 Quarto, 0 Banheiro, Número de pessoas 8

#597382203

(0)
2 - 8  Número minimo de noites
5 Quarto, 7 Banheiro, Número de pessoas 10

#504422587

(16)
4 Quarto, 4 Banheiro, Número de pessoas 10

#3165489

(1)
3  Número minimo de noites
4 Quarto, 4 Banheiro, 1 Lavabo, Número de pessoas 10

#366720

(19)
2 - 5  Número minimo de noites
2 Quarto, 1 Banheiro, 1 Lavabo, Número de pessoas 8

#4101623

(4)
3 - 7  Número minimo de noites
3 Quarto, 4 Banheiro, Número de pessoas 8

#762498

(0)
3  Número minimo de noites
2 Quarto, 2 Banheiro, Número de pessoas 8

#3668721

(0)
3  Número minimo de noites
4 Quarto, 4 Banheiro, 1 Lavabo, Número de pessoas 10

#340297

(18)
2  Número minimo de noites
6 Quarto, 5 Banheiro, Número de pessoas 25

#915918

(0)