Um mundo só delas

Descubra locais pelo mundo que homenageiam mulheres

Na TV, nas grandes empresas, nas relações, na política, as mulheres estão cada vez mais se empoderando e assumindo o protagonismo de suas próprias vidas e da sociedade. Nós reunimos lugares no mundo dedicados a mulheres que, como nossas mães, irmãs e avós, fizeram ou fazem a diferença no mundo.

 

Orla Bardot (Búzios - Brasil)

Tudo estava tranquilo nas areias da pequena Vila de Pescadores na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, até que a atriz francesa que interpretou a personagem Juliette Hardy, em “E Deus criou a mulher…”, e um dos maiores símbolos sexuais das décadas de 50 e 60, Brigitte Bardot, resolveu aparecer por lá. Era o ano de 1964, e depois das passadas da bela atriz por lá, a Rua das Pedras nunca mais foi a mesma. A imprensa mundial voltou todas as atenções para a então desconhecida Armação dos Búzios. Hoje, a Orla Bardot é um dos mais famosos points da região. Viajantes do mundo todo que passam por lá vão encontrar gente jovem e bonita atrás de um clima que muitos afirmam só ter lá. Ah, e claro, quem vai não deixa de tirar a clássica selfie no monumento de bronze de Brigitte Bardot com a roupa idêntica a que ela chegou lá.  

 

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Ilha das Mulheres (Cancún – México)

No século XVI, uma pequena ilha no mar do Caribe, em Cancún, ficou conhecida como um lugar sagrado. Isso porque nela acontecia o culto a Ixchel, Deusa Maia da Lua, que segundo a mitologia era responsável pela fertilidade. Reza a lenda que as jovens dos povos Maias iam até a ilha “passar de meninas a mulheres”.

 

Quando os espanhóis chegaram em um das suas expedições à ilha e viram a grande quantidade de figuras da deusa representadas ali, deram o nome de "Isla Mujeres", que em bom português quer dizer Ilha das Mulheres. Com menos de 8 km de  extensão, a pequena ilha mexicana é um oásis que agrada a todos os tipos de viajantes. Nadar com tubarões-baleias, brincar com golfinhos e fazer um tour de um dia em Cancún são algumas opções de passeios na ilha.

 

Puente de la Mujer (Buenos Aires – Argentina)

Um dos pontos turísticos mais vistosos de Buenos Aires, a Puente de la Mujer, no bairro Puerto Madero, é uma homenagem as mulheres importantes da história argentina. A ponte é dedicada a personalidades como a feminista Julieta Lanteri e a escritora também ativista da causa, Juana Manso, que também dão seus nomes a ruas do bairro.  A ponte estaiada projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, também é uma homenagem ao tango, dança característica do país, já que o monumento lembra uma mulher deitada em um dos passos da dança. O projeto, que atravessa as águas do Rio de la Plata, é o único de Calatrava na América Latina.

 

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Mirante Dona Marta (Rio de Janeiro)

Em 1680, um padre chamado Clemente comprou algumas terras da região sudeste que hoje conhecemos como o bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Um dos morros do terreno foi nomeado de Marta, em homenagem à sua mãe que havia morrido alguns anos antes. Hoje, o morro que tem vista panorâmico para a Cidade Maravilhosa, possui um dos maiores atrativos turísticos do Rio de Janeiro: o Mirante Dona Marta. Com uma vista incrível para os principais cartões postais da cidade e diversas casas coloridas que compõem o cenário, o morro se tornou um retrato fiel da cultura de periferia. O mirante já foi cenário do clipe de ninguém mais, ninguém menos, que Michael Jackson, em 1996, que hoje possui até uma estátua por lá, e é visitado por turistas do mundo todo.

 

Santuário de Lourdes (Lourdes – França)

Em homenagem a uma das mulheres mais importantes da História, a Maria, mãe de Jesus, Lourdes se tornou um dos destinos mais visitados por milhares de turistas religiosos que passam pela França. Era 1858, uma garota de 14 anos chamada Bernadette Soubirous teve visões da Virgem Maria em forma de Lourdes, na Gruta de Massabielle. Em seguida, outros milagres foram atribuídos às águas termais da gruta e mais tarde a área foi transformada em um santuário católico com duas basílicas, três museus e nove capelas. Hoje é um importante ponto de congregação religiosa. Anualmente seis milhões de pessoas visitam a região.

 

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Casa de Anne Frank (Amsterdã)

A Casa de Anne Frank, em Amsterdã, é um lugar que não pode ficar fora do roteiro de quem está com as malas prontas para o Norte da Europa. Anne Frank era uma menina judia que, durante a Segunda Guerra Mundial teve que se esconder com a família para escapar dos nazistas. Depois de pouco mais de dois anos se escondendo, eles foram descobertos e enviados para campos de concentração. Anne relatava num diário como era a sua vida e da sua família enquanto a guerra matava mais de seis milhões de judeus. O pai de Anne, Otto Frank, sobreviveu e publicou os escritos da menina. Em 1957 o edifício que a família Frank se escondia tornou-se um famoso museu com o quarto, escritos, fotos, desenhos e documentos deixados por Anne e que contam um pouco da história da resistência judaica no holocausto. A ideia do pai era fortalecer o contato e a comunicação entre jovens de diferentes culturas, religiões e raças, em oposição à intolerância e a discriminação racial.

 

Sala Cecília Meireles (Rio de Janeiro)

As mulheres têm capacidades múltiplas que impressionam. Cecilia Meireles é um desses exemplos. Foi uma poetisa, pintora, professora, jornalista e uma das vozes mais importantes da literatura de língua portuguesa no Brasil. Em 1965, um prédio da Lapa, no Rio de Janeiro, que já tinha sido hotel e cinema colonial passou a ser a Sala Cecília Meireles, em homenagem a fundadora da primeira biblioteca infantil do Brasil e autora de diversas matérias jornalísticas sobre os problemas na educação. Hoje a casa de concertos apresenta em seu palco grandes músicos e orquestras como a PianOrquestra e a Sinfônica Brasileira.

 

Jardim Amália Rodrigues (Lisboa)

Sem sair dos palcos, outra grande artista – e mulher – foi Amália Rodrigues, portuguesa conhecida como a “Rainha do Fado”, estilo musical característico de Portugal. Em homenagem à “Carmem Miranda” de Portugal, um belo jardim em Lisboa foi projetado pelo arquiteto e político Gonçalo Ribeiro Telles que recebeu o nome da cantora. Fica na área central de um dos pontos mais altos da cidade e ainda possui um teatro, um lago central e um bar.

 

Sala de Cultura Leila Diniz (Niterói – Rio de Janeiro)

“Como diz Leila Diniz”... A música de Erasmo Carlos canta uma das mulheres mais à frente do seu tempo no Brasil. Leila Diniz foi atriz e enfrentou a ditadura militar com seu jeito ousado que chocou a sociedade carioca conservadora. Passeando de biquíni com a barriga de grávida à mostra, coisa que não existia na época, abismou o povo das praias de Ipanema, no Rio de Janeiro. A atriz não teve tempo de se despedir dos cariocas. Após sofrer um acidente trágico de avião, ela não resistiu e faleceu com apenas 27 anos. Para nós, ficou como presente uma sala de arte em Niterói, no Rio de Janeiro, que tem seu nome e foi criada para apreciar arte e ainda por cima poder desfrutar da beleza dos jardins inspirados no paisagista Roberto Burle Marx.

 

Museu Frida Kahlo (Cidade do México)

Ela é conhecida pelas monocelhas, pelas flores, pelas roupas coloridas, pelo clássico penteado com dois coques em cima da cabeça e é representada em todos os níveis culturais, desde teses de doutorado até fantasias no Carnaval do Brasil. Essa é Frida Kahlo, pintora mexicana que impressiona tanto pela sua arte quanto pela sua história e força. Começou a pintar após sofrer um grave acidente que a deixou meses no hospital e a impossibilitou de ter filhos. Pintou o conhecido quadro Thinking About Death e impressionou o mundo com a sua própria obra, como ser humano e como mulher. A residência de Frida, a Casa Azul, é um famoso museu no México imperdível. Quem passar por lá vai poder ver mais sobre as preferências ideológicas e políticas da ativista e também um pouco do seu trabalho e estilo de vida.

 

Photo credit: Tanozzo / CC BY