Rio Gastronômico

Um guia com o melhor da gastronomia no Rio de Janeiro

Único destino brasileiro capaz de rivalizar com São Paulo na boa mesa, o Rio de Janeiro absorve tendências da culinária contemporânea com rapidez, tem uma cena gourmet dinâmica, na qual novos protagonistas se revezam na preferência da crítica, e coleciona cozinhas premiadas do Centro à Barra. Só entre os laureados pelo Guia Michelin 2016, são seis casas com uma estrela, além de 11 endereços Bib Gourmand, distinção do rigoroso guia francês para os restaurantes com boa relação custo/qualidade.

Novidade na constelação Michelin deste ano, o Eleven abriu as portas em 2015 com um colecionador de estrelas, o chef alemão Joachim Koerper. Estrelado em endereços da Espanha e de Portugal – na Terrinha, pelo Eleven de Lisboa, do qual é proprietário –, Koerper já vivia em terras cariocas desde 2011, comandando com certa discrição o Enotria, da Barra. Agora consagrado também no Rio, ele criou para a casa da Rua Frei Leandro, entre a Lagoa e o Jardim Botânico, menus degustação com sabores portugueses e influências meio mediterrâneas, meio fusion, dos quais são exemplos o leitão com purê de pêssego e o carré de cordeiro com polvo defumado e molho curry, pratos que podem ser provados no novo “menu Michelin”, de seis etapas. A excelência da cozinha também foi aferida pela Veja Rio Comer & Beber 2015, que elegeu o Eleven o melhor restaurante de alta gastronomia da cidade.

Quase tão jovem quanto o Eleven, o Lasai, aberto em março de 2014, foi eleito a novidade daquele ano pelo Guia Quatro Rodas 2015 e é outro que já nasceu nas mãos de um chef de boa cepa, o carioca Rafa Costa e Silva, auxiliar por cinco anos de Andoni Luis Aduriz, chef do aclamado Mugaritz, do País Basco. Num belo casarão restaurado da Conde de Irajá, no Botafogo, Rafa – chef revelação da Veja Rio Comer & Beber 2014 – prepara  dois menus degustação, o maior com 15 etapas, nos quais combina técnica e criatividade com ingredientes frescos, como os vegetais de produção própria.

Da mesmíssima época do Lasai, o sofisticado asiático Mee, dentro do Copacabana Palace, parecia ter sofrido uma dura baixa com a saída do chef Rafael Hidaka, só um ano depois da inauguração da casa. Não para o Guia Michelin. Paulistano como Hidaka, Kazu Harada chegou, passou a utilizar somente pescados do litoral do Rio, servidos como sashimis nobres, dim sums (bolinhos no vapor) e tartares até com foie gras, e manteve a estrela conquistada em 2015.

Entre os estrelados Michelin mais conhecidos da lista, Roberta Sudbrack, cria e criatura, é o nome tanto da chef gaúcha que serviu à cozinha presidencial durante a era FHC, quanto do agradável restaurante assobradado de cozinha contemporânea a uma quadra da Lagoa. Ali, Sudbrack prepara apenas menus degustação em etapas minimalistas com ingredientes frescos do dia, alguns deles desprezados pela alta gastronomia, o que torna a experiência duplamente imprevisível.

Ainda mais popular, o chef-celebridade Claude Troisgros, o mesmo dos programas da GNT, é o mentor do Olympe, hoje comandado por seu filho Thomas. Fruto do estilo de ambos, a cozinha da elegante casa do Jardim Botânico tende ao contemporâneo sem abrir mão de ingredientes da França “querrida” do pai, radicado no Brasil desde 1979. O certo é que, no menu criação, de cinco etapas, ou no confiance, de sete, não vão faltar iguarias como foie gras, codorna, ovo poché e outras “marravilhas”, sempre acompanhadas de uma espuma, uma redução, um toque diferente, invariavelmente de alguma matéria-prima bem brasileira.

Concluindo o sexteto estelar, o Le Pré Catalan, dentro do Hotel Sofitel, em Copacabana, está temporariamente fechado para reforma após tomar uma decisão que deve ter deixado os inspetores Michelin de cabelo em pé: a saída, em março deste ano, do chef Roland Villard, quase duas décadas de casa. A expectativa, agora, gira em torno do novo chef Jérome Dardillac, francês que já passou por restaurantes de hotéis da Europa, da Argentina e do Brasil, mas talvez nunca com a responsabilidade que tem agora, a de manter a estrela deixada pelo antigo chef. Dardillac promete uma cozinha parecida com a do antecessor, mas com uma apresentação mais moderna. A conferir.

Antes de entrar na lista Bib Gourmand dos restaurantes cariocas com bom custo/benefício, não dá para ignorar algumas casas que, embora não estejam nessas duas listas, fazem também uma comida espetacular.

Entram nesse rol, por exemplo, duas casas que são possivelmente as melhores de suas especialidades em todo o Brasil: o chiquetoso Fasano Al Mare, em Ipanema, imbatível na combinação entre massas italianas e pescados; e o tradicional Antiquarius, no Leblon, representante excepcional da culinária portuguesa.

Há ainda restaurantes que, embora não tenham as almejadas estrelas Michelin, não passam longe de recebê-las pela excelência do que fazem: o argentino Corrientes 348, que serve cortes suculentos no Shopping Rio Design Barra e, a partir deste ano, também na Marina da Glória; a famosa churrascaria Fogo de Chão, em Botafogo e na Barra; as carnes nobres, mas não só, do Rubaiyat, no Jockey Club; o contemporâneo Oro, do badalado e premiadíssimo chef Felipe Bronze, que reabriu a casa no Leblon agora em abril com foco vanguardista na cocção a brasa; o também contemporâneo Irajá Gastrô, em Botafogo, campeão da especialidade pela Veja Rio Comer & Beber em 2013 e 2015; os italianos Alloro, do chef Luciano Boseggia, no Hotel Windsor do Leme, Cipriani, do chef Luca Orini, no Copacabana Palace, e Gero, do grupo Fasano, com filiais em Ipanema e na Barra, onde se chama Gero + Trattoria; o badaladíssimo japonês Sushi Leblon; o Satyricon e seu aquário cheio de frutos do mar, que, ao lado da bancada de gelo, garantem o frescor dos pescados; o Adegão Português de São Cristóvão e suas filiais em Ipanema e no Shopping Rio Barra Design, além do cinquentenário portuga Mosteiro, no Centro; e o ótimo variado Eça, do chef belga Frédéric De Maeyer, no subsolo da joalheria H. Stern, também no Centro.     

Chef do Irajá, o carioca Pedro de Artagão está se transformando num dos mais hypados restaurateurs da cidade, com a abertura consecutiva de duas casas em 2015, o Cozinha Artagão, restaurante clean na Barra com delícias como uma carne assada que desmancha no garfo e o bolo de cenoura recheado com Nutella; e o Formidable Bistrot, no Leblon, um pequeno salão à Paris com pratos franceses (terrine de porco com foie gras, boeuf bourguignon...). Apesar da boa comida, os dois endereços têm preços menores que os do Irajá, o restaurante flagship do chef.

Outra novidade celebrada pelos gourmands em 2015 foi a abertura da Brasserie Lapeyre, próximo da renovada Praça Mauá, do Museu do Amanhã e da Baía de Guanabara, na decantada área do Porto Maravilha. Em parceria com o restaurateur Eurico Cunha, o chef Ricardo Lapeyre consagrou sua cozinha como a melhor entre as casas franceses da cidade pela Veja Rio Comer & Beber 2015, valendo-se de uma culinária de bases clássicas com um pouco de frescor atual, vide o pato confit com batata calabresa, cogumelo-de-paris, cebola caramelada e bacon.

A lista de restaurantes relevantes do Rio vai muuuito mais longe – nós não avisamos que é a única cidade brasileira com gastronomia comparável à de São Paulo? Para finalizar esta seleção e saciar a fome dos mortais que querem comer bem, mas nem sempre podem pagar os preços das casas estreladas, os 11 restaurantes Bib Gourmands do Guia Michelin são: Anna (Lagoa), Artigiano (Ipanema), Entretapas (Jardim Botânico e Botafogo), Gurumê (São Conrado), Lima Restobar (Botafogo), Miam Miam (Botafogo), Oui Oui (Botafogo), Pomodorino (Botafogo) e Restô (Ipanema) e Riso Bistrô (Ipanema).

E, para não deixar os fãs de Santa Teresa órfãos de um bom endereço, o tradicional Aprazível segue... aprazível – e dono da melhor carta de vinhos da cidade segundo a Veja Rio Comer & Beber 2016.

Recomenda-se fazer reserva nos restaurantes mais badalados, sobretudo durante a alta temporada.

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Bon appétit, e boa viagem!