Rio Cultural

Um guia com o melhor da cultura, da arte e da História no Rio de Janeiro

Não é somente na singular combinação entre metrópole e natureza, nos calçadões cheios de corpos sarados no sotaque charmoso de seus moradores que a capital fluminense merece o título de Cidade Maravilhosa. Capital da Colônia, do Império e da República por dois séculos, o Rio foi o epicentro político e cultural do Brasil até poucas décadas atrás, quando o advento de Brasília e a ascensão econômica de São Paulo decentralizaram essa protagonismo. A fase dourada legou aos cariocas muita história, arquitetura e acervos de arte fascinantes, que merecem ser vistos até por quem só se interessa por suas praias e seus cartões postais. Como toda cidade grande, o Rio também é palco de uma efervescente programação cultural, não raro em belos prédios históricos adaptados para essa função. Para os Jogos Olímpicos, a região portuária – repaginada pelo projeto Porto Maravilha – ainda ganhou novos museus e uma importância estratégica, já que ampliou o leque de atrações de uma região que já contava com a Ilha Fiscal, a Lapa, Santa Teresa e os diversos marcos históricos, arquitetônicos e culturais do Centro.

Comecemos, assim, pela área do Porto Maravilha na órbita da Praça Mauá, foco de duas grandes inaugurações nos últimos anos, o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio (MAR). O primeiro, aberto no final de 2015, fica sobre um belo espelho-d’água do píer e leva a assinatura do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o mesmo da icônica Puente de la Mujer, em Puerto Madero, Buenos Aires. No projeto carioca, o museu começou a justificar seu nome pelo atraso nas obras (era sempre “para amanhã”), mas, uma vez pronto, revelou ao público uma moderna e branquíssima construção em forma de navio para uns, de grill George Foreman para outros... Unanimidade, mesmo, é que não passa despercebida na paisagem. Parada obrigatória para uma selfie com a Guanabara ao fundo, o Museu do Amanhã requer uma pesquisa na programação antes de ser visitado por dentro, sobretudo se você não simpatizar com investigações científicas sobre a vida na Terra, tema recorrente das exposições.

No Museu de Arte do Rio, cujo nome cria a sugestiva sigla MAR, o novo e o antigo não se fundem apenas na interligação do antigo Palacete Dom João VI com o prédio modernista da Escola do Olhar, mas também no mix de mostras sobre fotografia, arte contemporânea e coletâneas históricas. Até março de 2017, fica em cartaz Leopoldina, Princesa da Independência, das Artes e das Ciências, com 350 objetos entre obras de arte, documentos, roupas e móveis da época da primeira esposa de Dom Pedro I, morta precocemente no próprio Rio de Janeiro.

Aproveite a visita para admirar (e registrar) a vista. Das janelas do lado moderno do museu, você fotografa o belo Palacete Dom João VI, onde ficam as salas de exposição, e, do terraço do café, todo o calçadão da Praça Mauá e o prédio do Museu do Amanhã. Além disso, a área é vizinha ao Morro da Conceição, reduto de casas antigas marcado por vielas cheias de vida e música. Nas noites de segunda-feira, por exemplo, já se tornou um clássico a Roda de Samba da Pedra do Sal, que rola solta em uma área de importância para a cultura afro-brasileira desde o século 17.

Sim, há samba autêntico o ano inteiro no Rio de Janeiro. Fora do circuito turístico, o bloco carnavalesco Cacique de Ramos, fundado na década de 60 em Olaria, tem roda todo domingo, a partir das 17h. Em algumas semanas, a festança começa antes e inclui feijoada. Se estiver motorizado e sem pressa, aproveite o deslocamento parar conhecer a Feira de São Cristóvão, no caminho, e conferir centenas de barracas com comida e artesanato do Norte e Nordeste.

Da herança afro para a arquitetura europeia, a menos de dois quilômetros da Pedra do Sal encontram-se os imponentes edifícios do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e do Centro Cultural Correios. Bem próximos um do outro, ambos oferecem ótima programação gratuita, além de ocuparem belos prédios históricos restaurados. Do CCBB já é possível avistar a Igreja de Nossa Senhora da Candelária, praticamente no mesmo largo. Lembrado pela terrível chacina de 1993, o santuário ostenta uma cúpula trazida de Lisboa, portas esculpidas em bronze e exuberantes trabalhos em mármore. Na vizinhança, a cerca de 600 metros, ainda fica o Paço Imperial, palco do anúncio do “Fico” de Dom Pedro I, em 1822, e hoje cenário de exposições de arte contemporânea que contrastam com o conjunto colonial.

Tesouro do barroco, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência também está no Centro, no outeiro do Largo da Carioca. De fachada simples, o prédio do final do século 18 explode em talhas douradas em ser interior, ricamente ornamentado com os altares e imagens que celebrizaram as Cidades Históricas de Minas. Não por acaso, parte da arte sacra que se vê ali foi entalhada por Francisco Xavier de Brito, mestre de Aleijadinho. A cinco quadras, na Rua Luís de Camões, a influência portuguesa no Rio chega à literatura, no imperdível Real Gabinete de Português de Leitura, um cenário de cinema com três níveis de estantes buriladas, uma bela claraboia com vitral colorido e o maior acervo de autores lusitanos fora de Portugal.

A 20 minutos a pé dali, de volta à região portuária, fica o Museu Histórico Nacional. Seu impressionante acervo resgata a história do Rio, do Brasil e de Portugal com documentos, móveis, roupas, objetos, pinturas e esculturas. Para mergulhar num passado mais recente da história política do país, não deixe de visitar também o Museu da República, no famoso Palácio do Catete, residência e gabinete de 16 presidentes com inúmeras histórias vividas entre suas paredes, a mais dramática delas o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954.

De volta ao Centro, na Cinelândia, chega-se ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O lindo prédio, inspirado na Ópera de Paris e reformado em 2010, tem visita guiada e uma agenda de óperas, concertos e apresentações de dança. Ao lado, vê-se o também exuberante Museu Nacional de Belas Artes, depositário de pinturas, desenhos, gravuras e esculturas que esmiúçam a produção artística brasileira dos séculos 19 e 20. Há, ainda, alas dedicadas à arte africana, aos artistas estrangeiros, à fotografia e a novas linguagens.

Uma maneira de garantir companhia, informações adicionais e mais segurança para percorrer a pé esse circuito de prédios históricos é pegar carona no Rio Free Walking Tour. Os guias vestidos de amarelo lideram dois roteiros: um pela região do porto e outro que vai do Centro Histórico à Lapa. A contribuição fica a critério do turista.

No comecinho da Zona Sul, ainda perto do Aeroporto Santos Dumont, localiza-se o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, endereço de exposições que podem contemplar de Andy Warhol a nomes da arte contemporânea. Entre as exposições em cartaz, vale destaque a da Coleção Joaquim Paiva, que fica aberta até 14 de agosto e reúne imagens de mais de 100 fotógrafos, incluindo Claudia Andujar e Pierre Verger.

Para ver um Brasil mais nostálgico, não muito longe dali, no bairro de Santa Teresa, fica o Museu da Chácara do Céu, que exibe obras de arte brasileira, europeia e oriental na antiga residência do colecionador Raymundo Castro Maya. Um dos destaques do acervo, a coleção Brasiliana resgata o Brasil Colônia pelo olhar de estrangeiros como o francês Jean-Baptiste Debret (1768–1848).

Das ladeiras de Santa para a burguesia da Lagoa, o acervo de outra colecionadora célebre deu origem à Fundação Eva Klabin. O visitante caminha pelos cômodos onde Eva viveu e conhece seu guarda-roupas de estilistas famosos, a prataria com que recebia seus convidados ilustres, os objetos e móveis trazidos de suas viagens ao exterior, além de obras de arte assinadas por nomes como Lasar Segall e Rugendas.

Ainda na seara dos colecionadores, o embaixador e mecenas Walther Moreira Salles foi mais um que teve sua residência transformada em espaço cultural, o Instituto Moreira Salles (IMS). A casa modernista construída na Gávea nos anos 50 recebe exposições, apresentações musicais e projeção de filmes, mas se destaca mesmo no acervo de fotografia, o mais importante do Brasil sobre o século XIX e o de melhor compilação das primeiras sete décadas do século XX. Das mostras em cartaz, Modernidades Fotográficas, 1940-1964 já passou por Berlim, Paris, Lisboa e Madri e reúne imagens de José Medeiros, Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Hans Gunter Flieg.

A arte popular também é bem representada na capital fluminense. O Museu Casa do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, exibe mais de 8 mil obras de artistas como as ceramistas Zezinha e Durvalina, do Vale do Jequitinhonha. Já no Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil, no Cosme Velho, mostras permanentes com quadros sobre o Rio de Janeiro revelam deliciosos detalhes da memória afetiva dos autores.

Da arte primitiva para a arte tecnológica, um nome para anotar na agenda é a nova sede do Museu da Imagem do Som (MIS), na Avenida Atlântica. Às voltas com a falta de recursos, o arrojado museu projetado pelo escritório americano Diller Scofidio + Renfro era para estar mais do que pronto nas Olimpíadas, mas, pelo jeito, não abrirá suas portas antes do final do Brasileirão.

Se não deu na arquitetura, uma efervescência cultural extra tomará conta do Rio no mês dos Jogos Olímpicos. Na música, por exemplo, já estão confirmados os shows de Pato Fu (dia 2, no Teatro Bradesco), Maria Rita (dia 20, no Metropolitan, antigo Citibank) e Caetano Veloso com Gilberto Gil (dia 27, também no Metropolitan). O Comitê Rio 2016 promete, ainda, uma intensa programação de espetáculos pela cidade durante os Jogos, com um palco principal na Fundição Progresso. Todos os eventos devem ser divulgados em breve pelo aplicativo Culturi.

Na Barra da Tijuca, bairro da vila olímpica e de boa parte das competições dos Jogos, vale acompanhar a programação da Cidade das Artes. O moderno e polêmico complexo, projeto do arquiteto francês Christian de Portzamparc inaugurado em 2013 após aumentos orçamentários e atrasos consecutivos, reúne salas para shows, concertos, espetáculos de dança, teatro e exposições.

Para facilitar o acesso a tudo isso, o Comitê e a Prefeitura criaram o Passaporte Cultural Rio, que dá descontos e gratuidade em uma série de eventos até setembro. Basta se inscrever pela internet e retirar o benefício pessoalmente, de graça, ou recebê-lo em casa (a entrega é gratuita apenas no Rio). Estrangeiros que não residem no Brasil pagam uma taxa de R$ 15.

Entre as atrações com meia entrada para portadores do Passaporte está a peça Gata em Telhado de Zinco Quente, texto de Tennessee Williams encenado pelo Grupo Tapa e estrelado pela atriz Bárbara Paz, no CCBB. Também há desconto em algumas sessões do tradicional Baile Charme, no Viaduto de Madureira, na zona norte. Reduto da black music criado por camelôs há mais de 25 anos, o local tem DJs residentes e expoentes do hip hop. Em todos os casos, é necessário se informar antes sobre a disponibilidade de ingressos.

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