O melhor da Costa do Descobrimento Baiana em 8 dias

De Arraial d'Ajuda a Caraíva, as falésias, os coqueiros e o estilo rústico-chique do litoral sul da Bahia.

De Arraial d'Ajuda a Caraíva, as falésias, os coqueiros e o estilo rústico-chique do litoral sul da Bahia.

Poucos pedaços do litoral brasileiro têm um jeito de ser tão marcante quanto o litoral sul baiano. Frequentado por celebridades internacionais, copiado por outras paragens, recheado de encantos que só existem lá, o trecho de 60 km entre a balsa de Porto Seguro e o barquinho para Caraíva é um patrimônio da baianidade rústico-chique.

A 3 km do Aeroporto de Porto Seguro, a balsa sobre o Rio Buranhém atravessa os visitantes em 10 minutos diretamente para Arraial d'Ajuda. Na saída da embarcação, já dá para entrar no clima com os picolés da Sorveteria Frutas Tropicais, feitos com água ou leite condensado muito antes do advento das paletas mexicanas.

A 5 km de Estrada da Balsa, encontra-se a Rua do Mucugê, o centrinho de Arraial, com lojinhas, bares e restaurantes bacanas, muitos dos quais ainda cercados de árvores e espécies nativas. Antes, porém, é legal passar em casa para pelo menos deixar as malas – e casa, por aqui, é o que não falta.

Nesta casa com gramado, coqueiros e piscina com lounge rústico de cara para o mar, são 3 suítes, uma sala bem ampla, arejada e clean, e uma frente com vista de cinema, no alto da falésia que contorna a praia.

De volta à Rua do Mucugê, aproveite para fazer um almoço tardio (ou jantar) no Don Fabrizio, que capricha nas receitas de pescados à italiana, ou se refestelar no bufê da Portinha, um clássico da região. Deixe o pit stop vespertino para o Café da Santa, na praça da igreja, que serve a bebida fumegante com grãos moídos na hora acompanhada de um croissant altamente recomendável.

Bom, mas você veio até aqui para curtir as praias, e uma caminhada pela areia na direção sul revela uma mais bonita que a outra. De Mucugê, as duas primeiras – Parracho e Pitinga – são famosas pelas barracas diurnas e noturnas que atraem a moçada. A seguir, a Lagoa Azul e o Taípe, quase desertas, são margeadas pelas falésias coloridas que se converteram em cartão-postal do distrito.

Para quem está com crianças, também vale passar uma tarde no Arraial d'Ajuda Eco Parque, que tem todas as atrações aquáticas de praxe (toboáguas, rio lento, piscinas com ou sem ondas e atividades como arvorismo e tirolesa), com o diferencial de ser integrado à natureza.

Foto: facebook Arraial d'Ajuda Eco Parque

Hora de se ajeitar e seguir para a mítica Trancoso, a apenas 20 km de estrada – doravante, de terra. A parada inicial, chave para entender o distrito, é o Quadrado, um enorme gramado retangular cercado de casinhas coloridas, de uma pequena igreja do século XVIII e de uma vibe responsável por fazer quem aqui chega não querer sair nunca mais.

Meio hippie, muito hype, o pedaço – oficialmente, Praça São João – ganha vida à noite, quando as lojas abrem e poéticos focos luminosos emolduram o descampado. Grifes como Osklen, Richards e Lenny dividem o perímetro com lojas como a Inn-Brazil, de móveis rústicos, a MTrancoso, de design brasileiro, e a Bela Estampa, com colchas, almofadas e móveis.

Passar 3 dias no distrito é o suficiente para sentir o lugar, embora recomende-se mais para quem está em modo férias-na-Bahia.

Clique na imagem para conferir este imóvel

Exportadora de tendências até na arquitetura, Trancoso talvez seja a melhor representante nacional do estilo rústico-chique. Estilo, aliás, é quase um posicionamento do lugar, não por acaso o escolhido de Alessandra Ambrósio, Alexandro Pato e Fiorella Mattheis, entre outros famosos, para espocar o primeiro champanhe de 2016. Trancoso abriga também um dos mais cênicos campos de golfe que se tem notícia, o Terravista, localizado no alto de uma falésia do Taípe (na divisa com Arraial d'Ajuda) e dentro de um condomínio com casas fora de série, como esta aqui.

Nas idas e vindas ao Quadrado, não deixe de experimentar o menu de influências portuguesas do El Gordo, de saborear o clima d'O Cacau, e nem de almoçar sob uma amendoeira no bufê da Portinha, matriz do restaurante de Arraial.

Falésia abaixo, nas areias mais centrais, os visitantes encontram barracas com música lounge, eletrônica, blues, jazz e MPB, infra charmosa e mimos como wi-fi, gazebos e até sofás. Com esse perfil, na Praia dos Coqueiros, ficam a Casa Timbó, a Uxua e a Barraca do Jonas. É mais ao sul, porém, que a mata nativa, a orla quase deserta e o mar esverdeado ganham nuances paradisíacas, numa sequência entre as praias do Rio Verde, de Itapororoca e da Ponta de Itaquena, a mais preservada.

De volta à poeira da estrada, 25 km separam Trancoso do Condomínio Outeiro das Brisas, no alto da falésia que flanqueia as praias do Espelho e de Curuípe. Aqui, comecemos pela orla: a mata dependurada nos paredões contorna um mar de tons azuis que, de acordo com a maré, ora revela, ora esconde os corais. Assim é o Espelho, eleita nada menos do que uma das cinco praias mais belas do Brasil em edições sucessivas do Guia Quatro Rodas.

No nível da areia, procure pela ótima cozinheira Silvinha para provar seu menu de pescados frescos com toques asiáticos, e guarde outra refeição para o risoto de pupunha com camarões da região. Ao longo do dia, a Praia do Espelho tem um jeito único, muito especial de receber seus visitantes, em gazebos, mesinhas e espreguiçadeiras montados em gramados de frente para o paraíso.

Com uma terceira noite no Espelho, você deve seguir de carro por mais 22 km de terra no sentido sul até encontrar o estacionamento para Caraíva. Deixe o carro, suba no próximo barquinho, atravesse o rio e, voilà, você chegou ao pedaço mais rústico desse trecho do litoral baiano, onde a eletricidade desembarcou outro dia e os carros ainda não entram.

Foto: Wikimedia

Antes – e também depois – de enfiar o pé nas vielas de areia e ganhar a vila, logo na saída do barco procure uma sombra em frente ao Boteco do Pará e seja feliz. Pastéis (bem) recheados de camarão ou arraia, uma cerveja gelada e o cenário do rio dão sentido autêntico à palavra "harmonização".

Caraíva é lugar das coisas simples que se mantêm simples, um povoado que cativa sem fazer força, em que todos se cumprimentam e se visitam mutuamente, sem cerimônias, e onde a decoração do restaurante ou a beleza da praia (longe de se jogar fora) não parecem ter importância. E é bom que você se dê conta disso rapidinho, porque o tempo passa rápido e logo chega a hora de pegar o barco de volta.


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