Um tour de bike pelos murais e grafites de São Paulo

Se o homem pré-histórico já registrava o seu dia a dia nas pinturas rupestres, o paulistano das ruas recorre aos becos, muros e postes para expressar a arte de sua época. Uma das vertentes da street art, o grafite de São Paulo galgou status e aceitação popular pelo talento de artistas como osgemeos, hoje consagrados no exterior, mas nem sempre foi assim. 

A história dos sprays na cidade remonta às frases de protesto contra a ditadura militar, passa pelos stencils do artista Alex Vallauri, que carimbou São Paulo com a imortal Rainha do Frango Assado, entre outras criações kitsch, e custou muita apreensão de latas de Colorgin pela polícia, não sem antes deixar o "pixador" pintado da cabeça aos pés. Nos anos 80, surgiram coletivos e guetos como o Beco do Batman, e na década seguinte o bairro do Cambuci virou o ateliê a céu aberto d'osgemeos e companhia. 

Que tal ver o que está "em cartaz" nas ruas paulistanas em um rolê de bike de Pinheiros ao Minhocão, passando pela Paulista e pelo Centro?

Nosso ponto de partida é a Rua Sumidouro, em Pinheiros, na esquina com a Rua Fernão Dias. É ali que se encontra um mural hiper-realista com os rostos de Janis Joplin, Amy Winehouse, Jimi Hendrix, Jean-Michel Basquiat, Jim Morrison e Kurt Cobain, homenagem do paulistano Eduardo Kobra ao "27 Club", expressão criada para lembrar a prematura e coincidente morte de artistas aos 27 anos de idade por abuso de álcool e drogas ou por suicídio.

Com trabalhos em cidades como Londres, Los Angeles, Miami e Nova York, Kobra retrata cenas de época ou personagens famosos muitas vezes com uma camada de triângulos coloridos por cima. É dele, por exemplo, o painel Etnias, encomendado pelo COB e pelo COI para a Olimpíada e concluído no fim de julho no Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro.

A uma quadra da Sumidouro, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, pegue a ciclovia no sentido Itaim (à direita) e, cerca de 400 metros depois, entre na Rua dos Pinheiros, à esquerda. Pedale por 100 metros e siga pela ciclovia da Rua Artur de Azevedo por 12 quadras, até a Avenida Henrique Schaumann. Atravesse-a e suba por ela (à esquerda) por uma quadra, até a Rua Teodoro Sampaio. Entre nela à direita e, logo em seguida, à esquerda, na Praça Benedito Calixto, para ver, 100 metros depois, outro mural de Kobra, no qual ilustra quatro lixeiras de materiais recicláveis identificadas com as palavras Segurança, Transporte, Saúde e Educação.

Siga até o fim da praça e entre à esquerda na Rua Cardeal Arcoverde, com muito cuidado, pela calçada, já que não há ciclovia e o trânsito é intenso. Ao chegar na esquina da Henrique Schaumann, no muro da Igreja do Calvário, o painel Viver, Reviver e Ousar é outro trabalho de Kobra, no qual faz uma releitura do Monumento às Bandeiras (apelidado de Deixa-que-Eu-Empurro), marco paulistano próximo ao Ibirapuera. 

Na mesma calçada da igreja, entrando à direita na Henrique Schaumann, mais Kobra: o Viaduto Santa Ifigênia com seus postes antigos, os transeuntes e os tradicionais triângulos coloridos que o artista sobrepõe em seus murais realistas.

Aproveite a faixa de pedestres e, na calçada oposta, rente ao cemitério São Paulo, suba a Henrique Schaumann, passe a Rua Luís Murat e desça a outra esquerda, uma rua estreita e residencial chamada Dr. José Almeida Camargo. Vá até o fim (cerca de 200 metros, apenas) e, à esquerda, você verá uma pracinha. Entre à direita nela e vá até o fim dos paralelepípedos da Rua Gonçalo Afonso, até chegar num largo quase sem saída: as duas vielas meio sinistras, uma à esquerda e outra à direita, com muros grafitados de cima a baixo, são conhecidas por Beco do Batman, o mais famoso e visitado espaço de street art de São Paulo. Percorra os dois lados (uns 100 metros no total) e fotografe sem pressa a sucessão de grafites, que são renovados constantemente e atraem grafiteiros de todos os calibres.

Volte para a Henrique Schaumann, retorne nela 50 metros à direita e atravesse totalmente a avenida com cuidado, porque faltam faixas de pedestres no local, mas dá para aproveitar o farol vermelho. O objetivo é chegar à ciclovia do canteiro central da movimentada Avenida Paulo VI, bem em frente. Cerca de 250 metros depois, entre com cuidado à direita, na Rua Galeno de Almeida, uma subida de 350 metros que começa leve e fica exigente nos 100 metros finais.

Entre à direita na Avenida Dr. Arnaldo, pedale pela larga calçada (não há ciclovia) por cerca de 1200 metros até o viaduto sobre a Avenida Rebouças, siga por ele, atravesse a rua até a outra calçada e observe no prédio bem à sua frente, na Rua da Consolação, a gigantesca fachada que Eduardo Kobra pintou com o rosto de Ayrton Senna em seu inconfundível capacete. 

Continue na mesma direção da calçada (sentido Centro) por apenas uma pequena quadra até a Avenida Paulista, símbolo da cidade. Antes de percorrê-la, porém, bem na frente da Paulista atravesse para o outro lado da Rua da Consolação e, beirando o parapeito do túnel que conecta a avenida à Dr. Arnaldo, veja de cima os grafites consagrados do paulistano Rui Amaral, com personagens ao estilo cartoon que lembram a pop art do americano Keith Haring.

Dê meia volta e entre na ciclovia da Paulista, um percurso de 3 km naquele que já foi o coração financeiro do país – e que hoje, aos domingos, quando fica fechada para carros (9h às 17h), se transforma num enorme e agitado boulevard com paulistanos e turistas do Brasil e do exterior. Passados 2 km de pedalada na Paulista, logo depois da Avenida Brigadeiro Luis Antônio, passe o prédio número 568, pare logo depois e veja em sua lateral o gigantesco mural O Entusiasmo de Anakuma, uma figura humana em preto-e-branco com o coração vermelho destacado e figuras coloridas em volta, trabalho de Rui Amaral – novamente ele – inspirado em lendas sumérias de deuses astronautas. 

Mais adiante, a 700 metros, ao lado de uma agência do Bradesco e da Praça Oswaldo Cruz, na lateral do Edifício Ragi, a arte de Kobra está de volta com aquele que talvez seja o maior cartão de visita do muralista, um rosto gigantesco do arquiteto Oscar Niemeyer com semblante compenetrado e riqueza de detalhes.

A partir daí, começa a Avenida Bernardino de Campos, uma extensão de 600 metros da Avenida Paulista que vai dar na Rua Vergueiro. Sempre pela ciclovia, entre à esquerda na Vergueiro e inicie a descida de 3 km até a Catedral da Sé. A 400 metros da praça, pedaço em que a Vergueiro já se chama Avenida da Liberdade, deixe a ciclovia e, pela calçada, saia à esquerda na Rua Jaceguai, uma descidinha que encontra a movimentadíssima Avenida 23 de Maio. Avance cerca de 80 metros pela calçada até avistar, do outro lado da avenida, um enorme muro azul todo desenhado – e um dos mais emblemáticos grafites coletivos de São Paulo. Cheia de fantasia, a empreitada é assinada por Nina Pandolfo, especialista em personagens femininos e infantis, com meninas que lembram as dos mangás japoneses; o grafiteiro Nunca, que já levou sua mistura de pop art, grafismo indígena e gravura até para a fachada do Tate Modern, em Londres; e os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, ninguém menos que osgemeos, requisitados em todo o mundo e presentes até no mercado de arte de Nova York.

Enfim, Praça da Sé. Se você programar o passeio para um domingo, pode fazer uma boa extensão da "pedalada com grafite" pela Ciclofaixa de Lazer do Centro (das 7h às 16h) e pelo Minhocão, que nesse dia fica fechado para carros e recebe exclusivamente pedestres, ciclistas, skatistas e congêneres. Outro adendo dominical: aproveite que o metrô permite a entrada de bicicletas no último vagão de cada trem durante o domingo todo e embarque com a magrela na estação Sé da Linha 1-Azul em direção ao Tucuruvi (nota educativa: carregue a bike no braço nas escadas fixas do metrô e só use as rolantes para subir).

Desembarque na quinta estação (Portuguesa-Tietê) e, ao descer para o nível da rua, repare nos pilares que sustentam o elevado do metrô. Até a estação Santana – a segunda adiante –, mais de 60 painéis de artistas como Binho, Chivitz, Akeni, Minhau, Larkone, Onesto, Zezão, Higraff, Presto e Anjo formam o Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo, uma compilação única dos traços e estilos da produção grafiteira atual de São Paulo. Para quem gosta do tema, vale muito a viagem, já que os trabalhos revelam o grande talento dessa nova geração.

De volta à Sé, pegue a ciclofaixa da Rua Benjamin Constant, siga para o Largo São Francisco, o Viaduto do Chá e a Barão de Itapetininga, contorne a Praça da República, entre na Vieira de Carvalho até o Arouche, de lá até a São João e, então fora da ciclovia, desça com cuidado até a alça de acesso para o Minhocão (Elevado Costa e Silva), na esquina com a Rua Helvétia. Ao chegar no elevado, entre à esquerda (sentido Centro) e pedale 800 metros, até a altura da Rua Marquês de Itu, então pare e olhe para trás: no prédio à sua direita, a enorme cabeça feita de um emaranhado de ruas, como se fossem as faixas de uma múmia do asfalto, é pintura do artista Tec, argentino radicado em São Paulo.

Já que você embicou para a Barra Funda, siga de volta pelo elevado, passe o acesso da Rua Helvétia e, 450 metros depois, na lateral de um prédio na altura da Avenida Angélica (olhe para trás para ver), repare no mural que parece um imenso pé de feijão "brotando" da caixa-d'água – mas que, na verdade, é uma erva-daninha. Obra da artista suíça Mona Caron, o desenho versa sobre a resiliência da natureza na selva de pedra. Mais 600 metros e surge, em outro edifício na altura da Rua Conselheiro Brotero, Empena Viva, um painel que mostra situações cotidianas dentro de apartamentos como se fossem um recorte do próprio prédio, com seus moradores ilustrados por meio de silhuetas. O projeto, assinado pela Nitsche Arquitetos, foi uma encomenda da Virada Cultural 2015.

Ufa! Descontado o "bate e volta" até Santana, o roteiro proposto tem cerca de 19 km de Pinheiros ao Minhocão, incluindo os desvios para ver os grafites. Para não ter de voltar na pedalada, pegue o metrô na Estação Deodoro, a apenas três quadras da Conselheiro Brotero, e siga para a estação da sua conveniência. 

AlugueTemporada tem imóveis nos arredores de todo o percurso.

Aluguel por Temporada em São Paulo

1 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 2

#3936893

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30  Número minimo de noites
1 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 2

#4275966

(0)
3  Número minimo de noites
3 Quarto, 2 Banheiro, 2 Lavabo, Número de pessoas 5

#3900201

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30  Número minimo de noites
2 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 4

#556280087

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7  Número minimo de noites
0 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 3

#3772227

(0)
9  Número minimo de noites
1 Quarto, 0 Banheiro, 1 Lavabo, Número de pessoas 3

#4198215

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2 - 29  Número minimo de noites
1 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 2

#370247

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7  Número minimo de noites
2 Quarto, 3 Banheiro, Número de pessoas 4

#3946023

(0)
2  Número minimo de noites
3 Quarto, 2 Banheiro, Número de pessoas 5

#4267230

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90  Número minimo de noites
1 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 2

#3621784

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