Roteiro de Viagem: Belo Horizonte e Inhotim

Com 2,5 milhões de habitantes, a terceira maior cidade da região Sudeste (e a sexta do Brasil) é uma metrópole que incorpora as mudanças provocadas pelo crescimento, mas sem perder seu jeitim minêro, uai.

No coração de tudo, a Praça da Liberdade já seria uma atração em si, por causa dos jardins inspirados em Versalhes, mas há muito o que ver e fazer em seu perímetro. Estão ali, por exemplo, o Palácio da Liberdade, construído em 1897 e antiga sede do governo do estado, e o Edifício Niemeyer, cujas semelhanças com as linhas do Copan paulistano não são mera coincidência, mas obra do eterno arquiteto de Brasília.

O conjunto arquitetônico da praça estende-se a outros prédios históricos, que, restaurados, deram origem ao belo Circuito Cultural composto pelo Centro Fiat de Cultura, o Memorial Minas Gerais – Vale, o Espaço TIM UFMG do Conhecimento, o Centro Cultural Banco do Brasil e o Museu das Minas e do Metal. Deixando a praça, a 3 km dali, mas ainda no Centro, fica o bom Museu de Artes e Ofícios, instalado dentro de uma belíssima estação de trem de 1922.

Saindo da região central, 10 km a noroeste do Museu de Artes e Ofícios localiza-se o Mineirão, palco do fatídico 7 a 1 da Copa do Mundo, mas ainda mais simbólico para os mineiros por sediar os clássicos entre Galo e Cruzeiro. É ali que fica o Museu Brasileiro do Futebol, que homenageia o esporte bretão com recursos multimídia e objetos históricos. Nos arredores do estádio e do museu estão a Lagoa da Pampulha e seu conjunto arquitetônico, encomendado na década de 1940 pelo então prefeito Juscelino Kubitschek, com jardins de Burle Marx e três construções projetadas por Oscar Niemeyer: a ondulada Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile e o Museu de Arte da Pampulha, este a 6 km da igreja. Importante: todos fecham às segundas. Para conhecer as atrações e admirar o espelho-d'água de diferentes ângulos, considere alugar uma bike para pedalar na ciclovia da Avenida Otacílio Negrão de Lima.

Polo de estilistas, Belo Horizonte também tem um apelo fashion e, com regularidade, recebe clientes de outras partes do Brasil em busca de peças autorais a preços bem mais razoáveis que os de Milão ou de Paris. Para conhecer essa face belo-horizontina, percorra as ruas Rio de Janeiro, Santa Catarina e Professor Antônio Aleixo, no bairro de Lourdes, e, na Savassi, as ruas Paraíba, Antônio de Albuquerque e Fernandes Tourinho – esta, endereço da multimarcas descolada PopCorn (nº 107) e de uma loja do renomado estilista mineiro Ronaldo Fraga (nº 81). Os endereços geralmente abrem em horário comercial ao longo da semana e até as 14h aos sábados. Durante o bate-perna, faça uma pausa no Café com Letras, misto de cafeteria, livraria e galeria de arte que serve refeições rápidas ao som de jazz, piano e DJs.

Achou sofisticado? Então, para equilibrar o jogo, vá ao mais eclético templo das tradições mineiras, o Mercado Central. Criado em 1929, o entreposto bomba nos fins de semana por causa de botecos como o Casa Cheia, que serve concorridas receitas locais – o mexidoido chapado leva carnes na chapa, arroz e legumes. Das 450 bancas, cerca de 10% são dedicadas aos queijos, com uma excepcional variedade dos tipos minas e canastra. Também são abundantes os boxes de doce de leite, goiabada, mel e compotas, e, claro, de cachaças, com todos os rótulos famosos da cidade de Salinas, da Anísio Santiago à Canarinha. O comércio de panelas de ferro e de pedra-sabão completa o mergulho no DNA mineiro. 

E já que falamos de cachaça, na terra de origem do festival Comida di Buteco nada é mais reverente à cultura mineira do que sentar-se à mesa de um bar. Na Albano's Choperia, que tem unidades nos bairros de Sion e Lourdes, o chope acompanha porções tradicionais de boteco, como as de linguiça, mandioca e costelinha. Instalado na sobreloja do Edifício Maletta, um prédio antigão com vista para o Centro, o Arcangelo Bar Café prepara bons drinques e empanadas argentinas ("Brassil, decime qué se siente..." #saudadescopa). Tricampeão do Comida di Buteco, o Bar do Zezé, no Barreiro, serve o trupico mineiro (feijão, costelinha de porco, linguiça defumada e pezinho de porco com mostarda refogada e torresmo), entre outras receitas regionais, no salão de uma antiga mercearia. No Salumeria Central, premiado da Veja BH no bairro Floresta, embutidos e queijos artesanais são o aperitivo de pratos como a panturrilha de porco. 

Da mesa para a mesa, a alta gastronomia de BH tem endereços de excelência em diversas especialidades, a começar pela cozinha mineira. O melhor da raça é possivelmente o restaurante Xapuri, na Pampulha, que prepara quase tudo de porco (lombo, costelinha, pernil), além de dezenas de doces caseiros. Ainda em território culinário nacional, o Trindade, em Lourdes, dá um toque contemporâneo a receitas como o arroz de pato com ora-pro-nobis. Vão pelo mesmo caminho, todos em Lourdes, o A Favorita, com criações como o ravióli de polenta ao ragu de galinha caipira e quiabo, o D'Artagnan, autor de uma geleia de rabada com quiabo, e o Gomide. Perto dali, o Alma Chef, do mestre-cuca Felipe Rameh, inova com um espaço que mescla empório, área de cursos e restaurante. Para comer uma boa carne, a churrascaria Fogo de Chão, na Savassi, serve o mesmo rodízio aclamado em suas filiais pelo Brasil. Na cozinha internacional, são apostas certeiras o Hemengarda, contemporâneo fusion instalado em um aconchegante casarão do bairro do Sion; o Vecchio Sogno, em Santo Agostinho, onde o chef Ivo Faria renova receitas tradicionais italianas, a exemplo do tortelli de beterraba à la sálvia sobre ragu de carne serenada; o Glouton, em Lourdes, que dá roupagem francesa a iguarias nacionais como rabada, carne de sol e frango com quiabo; e, na vizinhança, o Taste-Vin, um bistrô francês mais tradicional, vide o menu com pratos à base de pato, cordeiro e foie gras. 

AlugueTemporada tem dezenas de imóveis com boa localização e ótimo custo/benefício na capital mineira, como este econômico e bem-montado apartamento de 2 quartos no bairro de Lourdes.

Conhecida a capital mineira, há pelo menos uma esticada obrigatória de lá: visitar Belo Horizonte e não conhecer o Inhotim, é como ir ao Vaticano e... você sabe.

A 63 km de BH, o Inhotim é, na definição mais sucinta, o maior centro de arte contemporânea a céu aberto do mundo. Espalhadas por um imenso jardim botânico com lagos verde-esmeralda, paisagismo by Burle Marx e coleções de palmeiras e bromélias, mais de 500 obras de arte world-class colorem a paisagem natural e os ambientes de 21 galerias. 

Ônibus partem diariamente da rodoviária de Belo Horizonte para lá, mas o ideal é alugar um carro na capital mineira, sair cedinho, passar o dia no Inhotim, pernoitar em Brumadinho (há bons imóveis aqui) e, se um dia não tiver sido suficiente, visitar novamente o jardim das artes.

Nas quartas-feiras, dia de entrada grátis, e nos fins de semana e feriados, o local enche, com filas nos restaurantes e nos carrinhos de transporte. Mas em uma terça ou quinta-feira ensolarada, fora da temporada, você corre o risco de visitar um paraíso particular.

Para explorar seus 110 hectares, há uma boa infra de monitoria, alimentação e transporte. Embora a caminhada por esse espaço de puro delírio visual seja uma das melhores partes do programa, pague os R$ 25 extras para ter acesso aos carrinhos que levam aos pavilhões distantes, sobretudo se você programou um dia único de visita.

Entre os trabalhos e galerias que merecem destaque no Inhotim, não perca a obra The Murder of Crows, de Cardiff & Miller, com 98 alto-falantes que reproduzem a narrativa de um sonho; o pavilhão da carioca Adriana Varejão, um prédio de concreto que abriga painéis de azulejos e paredes recheadas de vísceras; os arames, cercas e redes, o chão cheio de cacos e a casa toda vermelha de Cildo Meireles; a rede de deitar, o chão de espumas, os balões e a piscina das famosas Cosmococas, de Hélio Oiticica; o Sonic Pavilion, de Doug Aitken, que transmite sons do interior da terra captados por microfones geológicos; as cadeiras e mesas gigantes de Inmensa, outro trabalho de Cildo Meireles; as bolas metálicas de Narcissus Garden, de Yayoi Kusama, nas quais você pode fazer a selfie no reflexo; e a icônica trinca de Fuscas com as partes trocadas de Jarbas Lopes.

Alimentado o espírito, o Inhotim conforta o estômago com o refinado bufê do restaurante Tamboril, as receitas fixas do bombado Oiticica e os pratos rápidos do charmoso Café do Teatro.

Como diz a surrada cantiga, tão clichê e tão verdadeira, "oh, Minas Gerais, oh, Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais".

Apartamentos para alugar em Belo Horizonte

10  Número minimo de noites
2 Quarto, 2 Banheiro, Número de pessoas 4

#3559096

(0)
De  BRL110 por noite
1  Número minimo de noites
1 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 2

#3918711

(13)
10  Número minimo de noites
1 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 4

#4064930

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De  BRL150 por noite
3  Número minimo de noites
3 Quarto, 2 Banheiro, 1 Lavabo, Número de pessoas 4

#3911789

(1)
5  Número minimo de noites
3 Quarto, 2 Banheiro, Número de pessoas 5

#4155439

(0)
3  Número minimo de noites
2 Quarto, 1 Banheiro, Número de pessoas 6

#567148971

(0)
De  BRL395 por noite
1  Número minimo de noites
3 Quarto, 3 Banheiro, Número de pessoas 6

#4053510

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5  Número minimo de noites
2 Quarto, 2 Banheiro, Número de pessoas 5

#4357902

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