O que ver e fazer em Curitiba: Dicas de passeio

Dicas de passeio na mais fria, europeia e organizada capital do Brasil

Prepare-se para o frio, muito frio. Daquele que quase nenhum outro lugar no Brasil tem. Mas, acredite, você vai gostar. As baixas temperaturas, mais amenas durante o dia e, com frequência, acompanhadas de um agradável solzinho, são o tempero ideal para você se sentir na Europa em Curitiba. Quer mais um motivo para aproveitar um fim de semana na capital paranaense? Imóveis de temporada modernos e aconchegantes, como este apartamento para 6 pessoas no Batel, o bairro mais nobre da cidade, custam menos de R$ 400 a diária.

 

Muito da fama de "cidade civilizada" e desenvolvida se deve às áreas verdes abundantes, às praças bem-cuidadas e ao asseio das ruas e calçadas. O transporte público também dá a sua contribuição. Famoso desde a década de 1990, quando foram implantadas as estações que conectam os ônibus sem que novas passagens sejam pagas (modelo semelhante ao adotado por São Paulo, em 2004), o sistema merece a adesão dos turistas, sobretudo os que forem ao Centro, onde é difícil estacionar (consulte os itinerários no site da Urbanização de Curitiba). Mas se você ficar próximo ao bairro do Batel, pode fazer muita coisa a pé e quase não vai precisar usar os "tubos", como são chamados os pontos de parada dos coletivos. 

 

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Foto: Wikimedia

 

Quando o prometido solzinho aparecer, vá logo para um dos mais de 30 parques, cada um com o seu diferencial. O Jardim Botânico, por exemplo, exibe a estufa que é o grande cartão-postal da cidade. Flores e gramados em desenhos simétricos, como os dos palácios franceses, levam até a linda estrutura de ferro branco e vidro, lar, doce lar de uma coleção de espécies da Mata Atlântica. 

 

No Parque Tanguá, novo uso dado para uma área onde funcionavam duas pedreiras, o mirante para o espelho-d'água e as árvores que avultam ao redor já valem o passeio. Não muito longe dali, o Tingui abriga a réplica de uma igreja ucraniana, de linhas exoticamente europeias, em uma área com bosque e ciclovia. A influência estrangeira também marca o Bosque do Papa João Paulo II, inaugurado após a visita do pontífice, em 1980. Ali, casinhas de madeira típicas do país natal de Sua Santidade abrigam o Museu da Imigração Polonesa, com móveis e utensílios domésticos utilizados pelos imigrantes em Curitiba. Na lista das principais áreas verdes, ainda está o Parque Barigui, que, por causa da localização central, é o mais popular da cidade, uma espécie de Ibirapuera curitibano, apesar da presença de capivaras e outros animais silvestres que vivem livremente por lá.

 

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Foto: Flickr

 

Basta começar a passear por Curitiba e você logo vai se impressionar com a exuberância das araucárias, não por acaso chamadas também de pinheiro-do-paraná. As árvores altas, com a copa lá em cima e os galhos arcados, são uma espécie nativa e ameaçada da Mata Atlântica que só se prolifera em regiões mais frias. Elas estão nos parques e nas ruas e, além de serem superfotogênicas, produzem o pinhão, a semente da árvore. Comido geralmente cozido, o ingrediente tem sido cada vez mais explorado em receitas de sopas, bolos, risotos e… cervejas.

 

Sim, a moda das cervejas artesanais chegou a Curitiba. Já são quase 40 membros na Associação das Microcervejarias do Paraná (Procerva). A breja de pinhão é produzida pela Insana, da cidade paranaense de Palmas. Outro ingrediente bem brasileiro, o cacau, rendeu prêmios à Bodebrown IPA, produzida na capital mesmo. Para experimentar várias delas e tirar suas conclusões, vá ao Clube do Malte ou ao Hop'n Roll Beer Club, onde você pode até criar a sua própria bebida.

 

Se as caminhadas pelos parques e as doses etílicas não forem suficientes para aquecer o seu corpo, a culinária curitibana resolverá a questão. A forte presença de imigrantes legou preciosidades como o alemão Cantinho do Einsbein, mas também aberrações como o Madalosso, um gigantesco rodízio de massas no bairro de Santa Felicidade. Premiado pela tradição e pelo tamanho, o lugar foi considerado pelo Guinness Book, em 1995, o maior restaurante das Américas, graças aos exagerados 4645 lugares do salão. Dica importante: não é necessário reservar.

 

Mas as panelas brilham mesmo no badalado bairro do Batel. Ficam ali, por exemplo, o argentino Corrientes 348, templo da carne com cortes elogiadíssimos e só uma das sete filias da matriz paulistana – há mais três em São Paulo, duas no Rio e uma em Brasília. Ainda no Batel, não deixe de se entregar à criatividade da premiada chef Manu Buffara no contemporâneo Manu. Nas imediações, o francês L'Épicerie, com pratos de Lyon, terra natal da proprietária Fanie Delatte, é outro que justifica a reserva, e em uma região vizinha ao Bosque do Papa, o Vindouro, da chef Adriana de Nadai, brinda os comensais com receitas internacionais clássicas e ingredientes de qualidade.

 

Com tanta bebida e comida boa na agenda, é melhor bater um pouco mais de perna. Fique atento à programação dos teatros Guaíra e Ópera de Arame, este uma belíssima estrutura tubular branca com teto transparente integrada ao Parque das Pedreiras. O Guaíra exibe na fachada um painel do artista curitibano Poty Lazzarotto e está no coração do Centro Histórico. A uma caminhada dali, você chega ao Paço da Liberdade, construído no início do século 20 no Largo da Ordem, hoje endereço de uma feirinha dominical de artesanato, ao Museu de Arte Sacra, anexo à Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Chagas, e a outros museus e espaços culturais menores, como o Museu Paranaense, o Memorial de Curitiba e o Solar do Barão, com bom acervo de artes gráficas.

 

A 3 km do Centro, no Museu Oscar Niemeyer (MON) – integrado ao Bosque do Papa e também chamado de “Museu do Olho” –, o prédio desenhado pelo imortal arquiteto de Brasília já é uma obra de arte. A programação, disponível no site, inclui mostras de artes visuais, arquitetura, design e urbanismo. Em cartaz até 24 de julho, há uma exposição, no mínimo, curiosa. Obras Sob a Guarda do MON reúne 26 peças apreendidas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato... Faça uma pausa no MON Café para planejar seus próximos passos e, ao sair, repare nos prédios do Centro Cívico, um conjunto arquitetônico tombado pelo patrimônio estadual que sedia órgãos do governo paranaense.

 

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Foto: Flickr

 

Quando chegar a contagem regressiva para a viagem, dê uma olhada na página da Prefeitura de Curitiba no Facebook, um case de bom humor no serviço público. A fan page da autointitulada "Prefs" divulga os principais eventos e compartilha fotos incríveis dos parques e de outros pontos turísticos. É um grande estímulo para visitar a cidade e uma bela ajuda para montar o roteiro pela mais europeia das capitais brasileiras.

 

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