Uma semana no litoral sul de Santa Catarina

Passado o verão, o mês de abril ainda promete dias ensolarados na costa catarinense, mas sem os preços nem a muvuca da alta estação

Se você esperava o timing certo para passar uma semaninha em Santa Catarina, o momento chegou. Verão encerrado, as belas praias do litoral do estado já não recebem um grande fluxo de argentinos, gaúchos, paranaenses e paulistas, numa curva descendente acompanhada pelos preços de aluguel para temporada. Nos termômetros, espere por noites bem frescas, mais confortáveis para dormir, e dias ainda ensolarados, com temperaturas rondando agradáveis 25 °C.

 

Guarda do Embaú

Distante apenas 57 km de Floripa pela BR-101, Guarda do Embaú, nossa primeira parada, encontra-se dentro do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Para chegar do centro do balneário à praia, os visitantes precisam atravessar o Rio da Madre com os barqueiros que ficam postados nas margens do curso-d'água, a R$ 3 por pessoa cada trecho, ou, na maré baixa, varar o leito a pé, com a água no peito. A cena, divertidíssima, inclui banhistas quase submersos carregando suas camisetas, cadeiras e coolers na altura da cabeça para não molhá-los no rio. A água fria - a primeira que os visitante têm contato logo pela manhã -, também provoca reações engraçadas. 

 

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Foto: AlugueTemporada

 

Pertinho do Rio da Madre, da praia e do centro, fica esta casa com três quartos climatizados, sala de TV com Sky, lareira para as noites frias, cozinha equipada, área de churrasqueira e porteiro eletrônico, bem completa para uma família ou um grupo de amigos de até 8 pessoas. Guarda é destino para duas noites, mas bem instalado, dá para passar a semana inteira sossegado.

 

Atravessado o rio, é possível dizer que, na prática, Guarda são duas praias em uma. Nesse pedaço perto do centro, onde estão as barracas de praia com bebidas e salgados (é proibido cozinhar na orla), concentram-se 99% dos guarda-sóis. O outro 1% desaparece à direita, na paisagem quase sem almas da longa e aprazível enseada. Do costão esverdeado do lado esquerdo até a outra ponta da orla, a caminhada de cerca de 7 km com pequenas dunas e um mar de ondas fortes como paisagem é um ótimo programa.

 

A partir do centro de Guarda, onde está a concentração de veranistas, é possível iniciar uma trilha pelo costão, onde está a barraca do Evori, com pastéis de siri e camarão que quebram o galho. A mesma trilha entreabre enseadinhas menores, mas igualmente frequentadas por banhistas, como a Praia da Pinheira.

 

Movimentado, o centro de Guarda tem boa oferta de lanchonetes e restaurantes para o almoço e o jantar. Sem sofisticação, mas com preparo a contento, você encontra pratos com peixes, pratos feitos, pizzas, burgers, dogs e pastéis, além de doces e sorvetes. Entre as casas de pescados mais caprichadas, sobressaem o charmosinho Seacoquille e o arejado Big Bamboo, no qual você terá de deixar a rivalidade futebolística de lado, vide as camisas e pôsteres do goleiro palmeirense Fernando Prass, o dono do restaurante.

 

Garopaba

 

Pela BR-101 e a SC-434, 57 km separam Garopaba, praia igualmente com ondas fortes, mas ainda mais associada ao surfe. Foi aqui que o médico gaúcho Marco "Morongo" começou a costurar as roupas de neoprene que dariam origem à Mormaii, em 1975, marca de surfwear que se tornaria reconhecida internacionalmente. A fábrica, a loja e até um surfe bar da Mormaii seguem funcionando a toda, na Avenida João Orestes de Araújo, a mesma de acesso à praia e ao redor da qual orbitam o melhor do comércio e da gastronomia. Estão por ali o simpático restaurante Setentaesete e a hamburgueria artesanal Guna Madê, onde você escolhe qual queijo quer no sanduba. A 2,5 km, na SC-434, prove a casquinha de siri e a anchova na brasa com alcaparras do Zanoni, e já se informe onde fica a vizinha Sol Pizzas, daquelas para matar a vontade até dos paulistanos puristas.

 

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Foto: AlugueTemporada

 

No sossegado canto da praia principal, mas perto do comércio, esta casa de dois quartos tem vista bacana para o mar, varanda envidraçada, duas suítes, wi-fi, TV com Sky e garagem coberta. Além de ficar a 30 metros da areia, ela dá fácil acesso de carro para as praias menos urbanizadas, como a Ferrugem, a 6 km do Centro e hypada pelos amantes da natureza. Mais próxima, a apenas 3 km, a Silveira é ainda mais selvagem, tanto que requer uma trilha no verdejante Morro da Silveira para ser alcançada. A 10 km, a extensa Praia do Siriú notabilizou-se por suas dunas com até 40 metros de altura, perfeitas para serem dropadas com um sandboard alugado nas barracas.

 

Antes de dar adeus a Garopaba, se por acaso você retardar sua visita para o período entre agosto e outubro, vai pegar um friozinho, mas, também, um programão. É nessa época que as baleias-francas visitam as praias de Garopaba e do Rosa, um espetáculo que empresas como a Vida Sol e Mar monitora com biólogos a serviço dos turistas, em pontos de observação da costa ou em passeios embarcados.

 

Praia do Rosa

Quase vizinha a Garopaba, a Praia do Rosa, a apenas 16 km, não requer nem a BR-101 no trajeto. Há apenas dois acessos parra carros (Rosa Norte e Rosa Sul, em cada ponta da praia), geralmente entupidos no verão, mas bem mais tranquilos agora. "O Rosa", como é intimamente chamado, celebra a lógica Tostines: é mais querido porque preserva mais, ou preserva mais por que é mais querido? O cenário da praia, uma enseada não muito extensa cercada por costões de Mata Atlântica, coopera para o destino ser tratado como um bibelô. Apesar das boas ondas nas extremidades, as famílias podem se beneficiar da Lagoa do Meio, atrás da larga faixa de areia, com águas calminhas.

 

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Foto: AlugueTemporada

 

Dentro de um condomínio com segurança, muito verde, quadra de tênis e churrasqueiras, esta moderna casa de quatro quartos tem piscina e conforto de sobra. Distante cerca de 5 km da praia, ela fica colada na Lagoa de Ibiraquera, onde os hóspedes podem praticar stand up paddle com a prancha do imóvel. Cercado por um playground desses, você pode passar dois, três... cinco dias no Rosa sem enjoar, inclusive da comida: as belezas da região não atraíram apenas quem valoriza praias preservadas, mas também talentosos restaurantes. No Tigre Asiático, por exemplo, a influência do sudeste da Ásia transparece na receita de tiras de frango com funghi, leite de coco, curry verde, gengibre e arroz de jasmim. No Lua Marinha, a vista concorre com os bons peixes e frutos do mar. A lista de bons endereços vai longe, mas merece a inclusão, no mínimo, das moquecas do Urucum, do afrancesado Bistrô Pedra da Vigia e do Magia do Trigo, com matinais e sanduíches caseiros e fresquinhos. Não dá para enjoar.